domingo, 17 de fevereiro de 2008

O Processo Seletivo

Agora que você escolheu as empresas que se enquadram com seu perfil e plano de vida, é iniciado o processo seletivo para escolha dos estagiários.

Geralmente, essa é a etapa que mais apavora os estudantes, gerando um clima de tensão, misturado com insegurança e ansiedade.

Com a alta taxa de desemprego apresentado em nosso país atualmente, não é difícil encontrar processos seletivos de estagiários que iniciam com cerca de 10.000 candidatos. Eu passei por essa situação no processo seletivo de uma Multinacional Indústria Química Francesa, que iniciou com 16.000 inscritos.

Primeiramente, tive que cadastrar meu currículo completo no website da empresa de recrutamento e seleção. Depois de alguns dias, recebi a mensagem de que eu havia sido selecionado para a realização da prova de inglês (prova presencial). Fui até o local de prova, juntamente com quatro amigos da Universidade, e fizemos a prova. Foi uma longa bateria de testes, não havia muito tempo para pensar.

Passada essa etapa, fui convocado para a dinâmica de grupo dentro da empresa de recrutamento e seleção. Foi uma manhã repleta de atividades em grupos e apresentações individuais. Mais uma vez, fui aprovado.

A próxima etapa foi uma entrevista individual com uma psicóloga da empresa de recrutamento, que durou cerca de uma hora e meia. A entrevista não passou de um bate-papo sobre minha vida pessoal e profissional, além de planos de vida e aspirações profissionais.

Depois dessa etapa, fui convocado para participar de um painel dentro da empresa, junto com os gestores da indústria química. Cada um dos candidatos teve que estruturar uma apresentação a respeito da vida pessoal e profissional. Novamente, passamos uma manhã na empresa realizando atividades em equipe e apresentações individuais.

Fui aprovado na etapa, e passei, finalmente, para a última etapa do processo: a entrevista final. Foi uma breve entrevista com alguns gestores que se identificaram com meu perfil. Foi cerca de uma hora de entrevista com cada gestor, sendo que fui testado diversas vezes durante essas entrevistas. Em uma delas (para a vaga que fui aprovado), tive que fazer um exercício em Excel, para provar habilidades de matemática e utilização do software, visto que era uma oportunidade para a área financeira.

Foram seis etapas que duraram exatamente seis meses, um período de total ansiedade. Além de participar do processo seletivo dessa empresa, eu (e grande parte de minha turma) estava participando de diversos outros processos, que tomaram uma boa quantidade de dinheiro e de tempo.

Esse período foi muito estressante, a incerteza era constante bem como a ansiedade. Sempre que havia uma etapa do processo, eu me preparava mentalmente, procurando mentalizar o que se passaria nas dinâmicas, e quais seriam minhas reações. Acredito que a preparação é de extrema importância, não só nesse momento, mas em tudo na vida. O treino é essencial (pergunte ao técnico Bernardinho!).

Além da preparação mental, é preciso também conhecer “o terreno onde se está pisando”. Procure a maior quantidade de informações a respeito da empresa para a qual você se candidatou, esteja preparado para perguntas a respeito e o principal: utilize essas informações durante as atividades em equipe. Isso mostra que você realmente está interessado, e buscou saber mais a respeito da empresa.

O comportamento durante as etapas também é um grande diferencial. Procure ser uma pessoa amistosa, que conversa com todos e sempre de bom humor, as psicólogas adoram! Você não iria contratar para sua empresa uma pessoa entediada, sempre de mal-humor, iria?

Grandes empresas são feitas de pessoas gentis, que se cumprimentam todas as manhãs, mesmo que estejam de mal-humor e não gostem de você! Esse é o "teatro diário" de várias empresas do mercado, promovido e fomentado pela alta diretoria em parceria com o departamento de Recursos Humanos.

“Tudo é uma questão de perfil”. Quem nunca ouviu essa frase de uma psicóloga se referindo ao motivo da reprovação de certo candidato a vaga. Será que o perfil de uma pessoa pode ser realmente avaliado em curtas etapas do processo seletivo? Será que no dia-a-dia o indivíduo irá se comportar da mesma maneira que se comportou durante o processo seletivo? Ainda tenho minhas dúvidas!

Será que não é possível criar um estereótipo de acordo com o perfil requerido pela empresa?

Essa é uma tática que realmente funciona. Antes de participar de um processo seletivo, procure saber mais a respeito da missão, visão, princípios e políticas da empresa. Analise quais os comportamentos e atitudes valorizados por elas, e tenha foco neles ao longo das etapas do processo seletivo!

Ah, outro detalhe importante: suas roupas! Isso mesmo, procure sempre estar bem vestido, isso faz uma enorme diferença. Uma pessoa bem arrumada se destaca dentre os demais, chamando a atenção dos recrutadores. Mas cuidado: exceções sempre existem! Por isso, procure saber a respeito da empresa antes do processo seletivo.

Um Caminho mais Curto: O Poder do Networking


Além de ter participado de diversos processos seletivos durante meu período de estagiário, também tive a oportunidade de sentir o “poder do networking”, benefícios e desvantagens deste.
Depois de quatro meses trabalhando na multinacional francesa, cheguei a conclusão de que aquele “não era meu lugar”. Primeiramente, por estar desalinhado com meu plano e missão de vida. Além disso, eu não estava me desenvolvendo profissionalmente: as atividades eram mecânicas e não agregavam muito, além de sofrer diversas “retaliações” dos superiores. Acredito que um dos poucos benefícios adquiridos foi a habilidade de trabalhar com o software Excel. Ao final dos cinco meses, eu estava “craque”, sabia fazer muita coisa que poucos haviam aprendido.

Entretanto, aprender a trabalhar com o Excel não era meu objetivo profissional. Eu queria mais, estabelecer uma ampla rede de contatos e me desenvolver para no futuro ser dono de meu próprio negócio.

Sendo assim, tomei a decisão de não me acomodar (afinal o salário era excelente para um estagiário) e ir atrás de uma opção que agregasse mais. Primeiramente, busquei regatar todos os contatos que eu havia feito durante a universidade, principalmente os que eu havia conseguido através da organização de alguns Seminários de Empreendedorismo.

Você já ouviu aquela frase: “Quando temos um objetivo, todo o universo conspira a nossa favor”? Pois então, isso aconteceu, de maneira inusitada!

Ao final do curso de Administração da UNIFEI, temos que criar um Plano de Negócios para apresentar junto à banca de professores e convidados. A minha equipe, ainda não havia tomado a decisão de qual idéia iríamos desenvolver: campo de paintball, lava-rápido de cachorros ou consultoria para consultórios médicos.

Uma das idéias que tive foi apresentar as opções a algum empreendedor de sucesso e analisar a opinião dele. O empreendedor que escolhi foi um dos palestrantes do Seminário de Empreendedorismo, que morava em São Paulo e tinha a disponibilidade de me auxiliar: Lito Rodriguez, da DryWash.

Marcamos um jantar para conversar sobre o assunto e “colocar as conversas em dia”. Durante o jantar, ele expressou sua opinião em relação à idéia que mais lhe agradava (campo de paintball), e começamos a conversar sobre a DryWash.

Durante a conversa, ele me questionou a respeito do andamento de meu estágio na multinacional. Eu expliquei a ele a situação que eu me encontrava e ele me propôs o seguinte: estruturar o departamento de Marketing da DryWash. A princípio, me pareceu um enorme desafio (que de fato foi), mas aceitei a proposta (depois de um mês de negociação e entrevistas com diretores). Além disso, tive que desenvolver um plano de ação completo descrevendo todas as minhas atividades dentro da empresa, além de estipular um custo para esse projeto (no caso, meu salário).

Porém, eu sabia que o início na DryWash seria uma tarefa em complicada. Eu teria que fazer um esforço dobrado para mostrar meu valor junto aos outros funcionários, pois eu seria rotulado como sendo o “amigo do dono”.

Essa é a grande diferença de trabalhar em uma empresa de médio porte: liberdade para expor suas idéias (e colocá-las em prática), processos seletivos mais curtos e objetivos, oportunidades diversificadas de desenvolvimento profissional.

A dica é: se empenhe ao máximo em todas as etapas do processo seletivo, seja diferente, mostre seu valor, sorria sempre! Perpetue sua rede de relacionamentos, não perca seus contatos pessoais e profissionais e nunca feche as portas quando sair de uma empresa. Não se acomode diante da insatisfação, aja, tome uma atitude para mudar sua vida!

4 comentários:

Juliana disse...

Marcelo,
muito obrigada pelas dicas postadas. Me ajudarão bastante!
Juliana

Thiago disse...

Parabéns pelo excelente post e por suas descobertas!!
E obrigado pelas dicas!

Lorella disse...

olá marcelo
gostaria que voce me explicasse como voce fez o painel do seu processo, porque terei que fazer um e gostaria de uma sugestao, uma experiencia.

se puder me envie um email
lorella_pf@hotmail.com

andersonribeiro disse...

Muito obrigado pelas dicas.
Você teria mais dicas sobre a etapa PAINEL?
andersonmoc@hotmail.com